Mata Atlântica é prioritária para conservação

dos anfíbios

 

Região concentra mais da metade das espécies endêmicas brasileiras, ameaçadas pela destruição de ecossistemas como as matas de araucárias

São Paulo - Mais de mil espécies de anfíbios foram catalogadas durante o workshop Sul-Americano de Anfíbios, que reuniu 70 pesquisadores de vários países, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento, encerado hoje, faz parte de uma estratégia global da The World Conservation Union (IUCN), para construir uma base de dados consistente desse grupo de animais e definir suas prioridades de conservação.

Organizado pela entidade ambientalistas Conservation International (CI), o workshop incluiu todo o território sul-americano, com exceção dos países do Cone Sul (Argentina, Uruguai e Chile) e a porção andina do Continente, que terão reuniões próprias. "Os anfíbios são verdadeiros sensores ambientais, denunciam a degradação de uma área antes de qualquer outra espécie e, se estudados, global e sincronicamente, eles têm a capacidade de comunicar o que está acontecendo com nosso planeta. São como um alerta vermelho", disse o zoólogo da Universidade de São Paulo, Miguel Trefaut Rodrigues.

Durante o workshop, espécies ainda não descritas foram trazidas pelos pesquisadores de vários países. "Somente em um projeto que a CI participou no ano passado, pescadores listaram doze novas espécies de anfíbios na Mata Atlântica do sul da Bahia. Além disso, foram identificadas várias espécies que, por serem muito parecidas, eram registradas como apenas uma", contou o biólogo Adriano Paglia, coordenador do encontro.

Os cientistas identificaram ainda a Amazônia (não só a brasileira) e a Mata Atlântica, como s biomas mais importantes para a conservação dos anfíbios, por conta da grande diversidade de espécies e alto grau de endemismo (espécies que só ocorrem em um determinado local). Das 600 espécies de anfíbios registradas no Brasil, 455 (76%) existem apenas aqui. Somente na Mata Atlântica, foram catalogadas 372 espécies, sendo 260 (70%) endêmicas. "Foi possível, ainda, identificar as áreas prioritárias dentro do bioma, que são a Serra do Mar, o sul da Bahia e norte do Espírito Santo e, principalmente, as matas de araucárias no Paraná e Santa Catarina, onde estão algumas espécies de anfíbios bastante ameaçadas de extinção", disse Paglia.

Um dos motivos da sensibilidade dos anfíbios à saúde do meio ambiente está relacionado a seus diversos modos reprodutivos. Há espécies que depositam seus ovos em meio aquático (água corrente ou parada); em meio semi-aquático (em ninhos de espumas flutuantes ou na vegetação acima d'água); e ainda em ambiente terrestre, no solo da mata. Outros fatores que afetam a atividade reprodutiva dos anuros (sapos, rãs e pererecas) são a temperatura do ar, a quantidade de chuvas, a luminosidade, além da ação humana. Ao menor desequilíbrio em seus habitats naturais, o anfíbios - sobretudo os anuros - reduzem sua capacidade reprodutiva, podendo-se observar o rápido desaparecimento de populações.